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Controle glicêmico evita as complicações do diabetes

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Diabetes é uma doença crônica e deve ser encarada com seriedade. A negligência no controle dos níveis glicêmicos pode levar a graves complicações, incluindo morte prematura. Estudos indicam que o diabetes causa mais mortes do que o câncer de mama e a AIDS juntos. Duas em cada três pessoas com diabetes morrem em função de problemas cardiovasculares ou derrame. A boa notícia é que o diabético bem controlado apresenta sobrevida comparável a de indivíduos não diabéticos.

Apesar disso, a situação do controle glicêmico no Brasil é desastrosa e altamente preocupante. Segundo o Dr. Augusto Pimazoni Netto, Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim, 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com o diabetes fora de controle. Uma das principais causas dessa situação é a falta de compromisso do paciente com o automonitoramento da glicemia. O descontrole das altas taxas de glicose no sangue é fator desencadeante de doenças sérias. O que agrava ainda mais o quadro é que grande parte dessas complicações não apresentarem sintomas na fase inicial, o que faz com que o diabético negligencie o controle da glicemia. Resultado: a demora no diagnóstico das doenças associadas ao diabetes dificulta o tratamento e pode trazer consequências irreversíveis.

As principais consequências do diabetes descompensado são vasculares, podendo atingir desde os pequenos vasos, como os vasos de maior calibre. Além dos órgãos afetados, os problemas circulatórios também dificultam a cicatrização e o combate a infecções. O mau controle glicêmico pode levar inclusive, ao acometimento dos nervos.

  • Perda da visão: o excesso de glicose danifica os vasos sanguíneos da retina (retinopatia diabética). Na fase inicial, normalmente, não apresenta sintomas e com o passar do tempo, caso não tratado, pode evoluir para a cegueira. Ao primeiro sinal de visão borrada, ou qualquer outra alteração, procure um oftalmologista com urgência.
  • Problema renal: os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos. Na nefropatia diabética, há uma progressiva diminuição da capacidade de filtração, que é a principal função do rim. A doença não costuma apresentar sintomas, porém muitos pacientes notam que a urina fica mais espumosa. Caso perceba alterações em sua urina, informe ao seu médico. 

Na fase inicial pode ocorrer o aumento da pressão arterial (hipertensão). Esta condição é um sinal de alerta, pois pode evoluir para insuficiência renal. No paciente com diabetes tipo 1, a insuficiência renal progressiva ocorre em cerca de 50% dos pacientes. No tipo 2, observa-se um número crescente desta complicação obrigando o paciente submeter-se a hemodiálise ou ao transplante renal.

  • Amputação: o pé diabético é uma das complicações mais frequentes do diabetes. A glicemia alta desencadeia a doença vascular periférica (diminuição do fluxo sanguíneo das extremidades, principalmente dos membros inferiores) e a neuropatia diabética (dano do nervo) reduzindo a sensibilidade dos pés. Com a perda da sensibilidade, os pés ficam mais sujeitos a ferimentos sem que o paciente sinta a lesão. Devido à redução da circulação, a cicatrização se torna mais lenta, provocando ulcerações que podem evoluir para infecções e destruição de tecidos profundos (gangrena). Caso o pé não seja amputado pode ocasionar uma infecção generalizada e levar o paciente à morte.

Os sintomas no início são formigamento, sensação de queimação e/ou dor na planta dos pés. Em estágio mais avançado, os pés se tornam frios e ocorre a perda progressiva da sensibilidade. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 20% das internações de pacientes com diabetes são decorrentes de lesões nos pés e 70% das cirurgias de amputações no Brasil tem como causa o diabetes mal controlado. São 55 mil amputações anuais e que podiam ser evitadas com o uso de calçados adequados e cuidados regulares que incluem medidas simples, como a inspeção diária dos pés para detectar precocemente qualquer lesão suspeita.

Modernamente tem-se utilizado a terapia por ondas de choque, que consiste no bombeamento de ondas ultrassônicas, que provocariam o aumento da vascularização local, facilitando assim a cicatrização.

  • Alterações ateroscleróticas: diminuição da circulação sanguínea nos vasos de maior calibre caracterizado como macroangiopatia diabética. É a principal causa de morte (65 a 75%) os pacientes diabéticos. No coração, leva ao infarto. No cérebro, provoca o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC, conhecido popularmente e erroneamente como “derrame”). Trata-se de uma aterosclerose acelerada, ou seja, seriam os mesmos processos que ocorreriam em indivíduos não diabéticos, mas que no caso de pacientes diabéticos, ocorrem mais rapidamente. É importante destacar que o diabético adequadamente compensado (com os níveis de glicose controlados) não apresenta uma aceleração no desenvolvimento desses processos.

PREVINA-SE ANTES QUE SEJA TARDE

Manter os níveis de glicose estáveis no sangue é fundamental para prevenir as complicações decorrentes do diabetes. A definição das metas glicêmicas é individualizada, respeitando o estado de saúde, características fisiológicas e estilo de vida do paciente.

Há vários modelos de glicosímetros disponíveis em quase todas as grandes redes de farmácias e, da mesma forma, a escolha deve ser direcionada de acordo com as necessidades individuais de cada paciente. É importante a orientação do seu médico de como usar o aparelho e identificar os padrões de glicose. As medições devem ser realizadas nas situações, nos horários e na frequência estipulada. Diante de qualquer sintoma também é aconselhável medir a taxa de glicose.

A Sociedade Brasileira de Diabetes define como regra básica:

  • A glicemia normal em jejum não poderá ultrapassar os 100 mg/dL.
  • Duas horas após uma refeição, o valor máximo não deve ser superior a 140 mg/dL.

A medição com o glicosímetro é um instrumento indispensável para você controlar sua glicose em qualquer momento do dia. Esses dados possibilitam que seu médico avalie as oscilações de sua glicemia, revendo, se necessário, mudança no tratamento.

Na consulta leve o monitor, assim como o registro das glicemias e dos horários e doses das medicações. O seu médico também poderá testar se seu aparelho está funcionando de forma adequada e se você está usando de forma correta.

Existem aplicativos gratuitos para o celular que permitem você anotar a medição de sua taxa de glicose em todas as situações, facilitando tanto para você como para seu médico, a interpretação e a precisão das informações.

COMO USAR O APARELHO E MEDIR SUA GLICOSE CORRETAMENTE

A frequência em que você vai medir sua glicose é estabelecida de acordo com o seu plano de tratamento. Manter os níveis de glicose dentro da meta pode ser desafiador e um pouco frustrante quando os resultados não são alcançados. No início, pode haver alguma dificuldade para realizar esse gerenciamento e medição. Isso é absolutamente normal. Toda mudança exige um período de treinamento e adaptação. Não se cobre demais e em breve o gerenciamento se tornará algo natural na sua vida.

Existe no mercado uma grande variedade de aparelhos, lancetas e técnicas para fazer o automonitoramento da glicose. Leia as instruções e oriente-se como limpar seu aparelho e verificar se está calibrado. Certifique-se também sobre o tipo de tira que deve ser usado no seu monitor e o tamanho da gota de sangue necessária para a medição. Fique atento também ao prazo de validade das tiras. Tira vencida pode produzir resultados errados.

A Sociedade Brasileira de Diabetes esclarece as principais dúvidas e oferece instruções para o melhor aproveitamento do seu glicosímetro:

Não use álcool para limpar as mãos

É importante ter as mãos limpas antes de fazer o teste. Pequenos vestígios de comida nas pontas dos dedos, por exemplo, podem contaminar a amostra de sangue. Esfregar álcool nas mãos também é desnecessário e pode afinar a pele, tornando o exame mais doloroso com o tempo. Lave as mãos apenas com água e sabão.

Como facilitar o fluxo de sangue para os dedos e evitar os hematomas

Se você tem que espremer a ponta do dedo para conseguir a amostra de sangue, tente alguma dessas dicas:
1) Use água morna para lavar as mãos;
2) Depois, deixe seu braço estendido ao longo do corpo, na posição vertical, por um minuto;
3) Massageie delicadamente o dedo, da base até a ponta;
4) Após usar a lanceta, pegue um lenço limpo e pressione a ponta do dedo firmemente, por alguns segundos, até parar o sangramento. Desta forma, evitará também, os hematomas. 

Modo de usar as lancetas (pequenas pontinhas que perfuram sua pele)

Profundidade: existem aparelhos que permitem regular a profundidade em que a lanceta penetra na pele. Quanto mais alto o número da gradação, mais será a profundidade da lanceta. Peça orientação ao seu médico referente à menor profundidade possível, sem prejudicar a qualidade da amostra.

Local e variação da posição para os testes

Evite realizar o teste sempre no mesmo local. A área macia no meio da ponta do dedo costuma ser mais dolorida. Prefira as laterais das pontas dos dedos, que são menos enervadas tornando a picadinha menos desconfortável.

Embora alguns equipamentos indiquem que você pode colher a amostra também no antebraço ou na coxa, essas regiões do corpo podem não ser as mais indicadas quando o nível de glicemia está em rápida alteração, como por exemplo, nos períodos após as refeições, atividades físicas, aplicação de insulina ou episódios de hipoglicemia.

Converse com seu médico sobre locais alternativos adequados ao seu caso.

Hidrate sempre as mãos

Usar creme para as mãos regularmente vai ajudar a manter as pontas dos dedos macias e os testes serão mais fáceis. Lembre-se, que antes dos testes, você deve lavar as mãos e também não pode conter resíduos de hidratante.

Desabafe, fale de seus desconfortos

Se você estiver passando por algum grande desconforto ou dor, converse com seu médico e com os integrantes da equipe que acompanha seu tratamento. Não seja tímido e não ache que simplesmente “tem que aguentar”.

Em muitos casos, algo pode estar sendo feito de forma incorreta ou pode ser feito de outra maneira, que se adapte melhor ao seu estilo, à sua pele e à sua habilidade.

Diabetes não é uma sentença de morte. É apenas um alerta pra você cuidar mais de sua saúde e com mais qualidade de vida. Alimentação balanceada e atividades físicas são comportamentos que só tem a acrescentar e faz parte da rotina de todas as pessoas que se preocupam com a saúde, mesmo sem serem diabéticas. Os cuidados adicionais fazem parte da vida de qualquer pessoa que sofra uma doença crônica, como a hipertensão arterial, por exemplo. Seguindo todas as orientações você pode evitar as complicações do diabetes e levar uma vida de forma natural, saudável, sem angústia e feliz.

alimentação para prevenção e controle do diabetes

imagem alimentação para prevenção e controle do diabetes

O diabetes é um distúrbio do metabolismo da glicose e a obesidade é uma das principais causas. O pré-diabetes é a fase que antecede o diabetes e chega atingir 250 milhões de pessoas no mundo. Para diagnóstico de diabetes, a taxa de açúcar no sangue é definida acima de 125mg/dl. No pré-diabético ela se encontra entre 100 e 125 mg/dl.

Nem todo pré-diabético desenvolverá o diabetes. Mas todo pré-diabético que não adotar um estilo de vida saudável com alimentação balanceada, em até 5 anos pode se tornar um paciente com diabetes. A cada ano, 7 milhões de pessoas desenvolvem diabetes. A recomendação é perder entre 5 a 10% do peso e aderir a uma dieta equilibrada que reverta os níveis de glicose aos valores normais.

No paciente com diabetes já instalado, a quantidade e os nutrientes dos alimentos a serem consumidos irão depender de cada caso e, desta forma, o tratamento é individualizado. Para uma alimentação saudável é importante considerar todos os grupos alimentares e conhecer como os carboidratos, as proteínas e as gorduras agem sobre a glicemia.

E o que é glicemia?

A glicemia é a taxa que indica a concentração de glicose (açúcar) no sangue. Uma alimentação desequilibrada pode elevar a glicose no sangue caracterizando a hiperglicemia. A hiperglicemia mantida ao longo dos anos, além de ser fator de risco para doença cardiovascular, é caminho sem volta para o diabetes. Portanto, a principal medida preventiva é evitar alimentos e comportamentos que disparem a glicemia.

Além das calorias, que é uma medida de energia, os alimentos são classificados de acordo com seu nível glicêmico. Quanto maior o índice glicêmico (IG), maior a chance de elevar o nível de glicose na corrente sanguínea. O vilão da história são os carboidratos, já que as proteínas e gorduras (lipídios) dependem tanto da quantidade quanto de outros alimentos associados à refeição para alterar a glicemia.

A importância do índice glicêmico no controle do peso

O índice glicêmico (IG) refere-se à velocidade do alimento para se transformar em açúcar no sangue. Quanto mais rápido o alimento atravessa o sistema digestivo, maior será a descarga de insulina para recolher todo o açúcar (glicose) deste alimento e encaminhá-lo às células, já que açúcar circulando em excesso no sangue é “veneno”.  E é esta uma das funções da insulina, evitar que a glicose permaneça no sangue.

Quando você come alimentos com alto índice glicêmico, a insulina dispara para fazer este transporte. Porém as células tem uma capacidade limitada para utilizar toda a glicose deste alimento. E o que acontece então? A insulina é obrigada levar a glicose para o tecido gordo armazenando na forma de triglicérides (gordura). Excesso de triglicérides provoca deposição de gorduras nos vasos e aterosclerose, aumentando o risco das doenças cardiovasculares.

Para uma alimentação saudável e equilibrada é importante controlar os níveis de glicose no sangue permitindo, desta forma, que a insulina distribua corretamente a energia para as células e não armazene na forma de gordura.

Os principais nutrientes para o funcionamento do organismo

Seu corpo necessita de seis nutrientes indispensáveis para funcionar adequadamente:

  • Os micronutrientes: vitaminas, minerais e água, que não afetam o índice glicêmico;
  • Os macronutrientes: carboidratos, proteínas e gorduras, que dão energia ao corpo e exercem influência na glicemia.

Apesar dos alimentos serem classificados como carboidratos, proteínas e gorduras, muitos deles pode ter a combinação dos outros nutrientes em sua composição. Portanto, um alimento com proteína pode conter gordura, assim como qualquer outro com carboidrato pode também ser fonte de proteína, por exemplo.

NUTRIENTES x ÍNDICE GLICÊMICO

Classificação dos alimentos pelo percentual do índice glicêmico:

  • Alimentos com índice glicêmico Alto: valor maior ou igual a 70
  • Alimentos com índice Glicêmico Médio: valor entre 56 e 69
  • Alimentos com índice Glicêmico Baixo: valor menor ou igual a 55

CARBOIDRATO: é principal fonte de energia do corpo e o nutriente que mais afeta a glicemia já que 100%  dele é transformado em glicose. Entra de forma acelerada na corrente sanguínea elevando a glicemia entre 15 minutos a 2 horas. Quando consumido em excesso são também armazenados na forma de gordura. A ingestão diária recomendada de carboidratos é de 50 a 60% do valor calórico total das calorias dia. Os carboidratos são divididos em:

Carboidratos simples: possuem alto nível glicêmico. São digeridos e absorvidos rapidamente, produzindo um súbito aumento de glicose no sangue.

Ex: pão branco, arroz, batata, suco de frutas, doces, sorvete, bolo, refrigerantes, biscoitos, milho, massa de farinha branca, açúcar, mel, glicose, sacarose, cana-de açúcar. 

O pão francês é o alimento com maior índice glicêmico (100 IG/30g). Na sequência por porção de 150g temos: a batata (103), seguido do espaguete (87) e o arroz branco (80).  Algumas frutas também possuem um índice glicêmico elevado (valores por 100g): manga (80) melancia (72), abacaxi (66), banana (60) e papaia (59).

Carboidratos complexos: são digeridos mais lentamente por conter maior quantidade de vitaminas, minerais e fibras. Desta forma, o aumento da glicemia ocorre de forma lenta e gradual.

Ex: arroz integral, pão integral, batata-doce, mandioca, abóbora, inhame, aveia, alface, tomate etc. Frutas com casca tem baixo índice glicêmico, como a pera e maçã, que possuem o IG 38.  O morango (40), a laranja e o pêssego (42) também estão incluídos na categoria de baixo valor glicêmico.

PROTEÍNAS: além de serem fontes de calorias, são fornecedoras de aminoácidos que tem o papel construtor e reparador aos órgãos e tecidos do corpo. Elas também são importantes na formação de hormônios, enzimas e anticorpos. 

Diferente dos carboidratos, apenas 30 a 60% das proteínas ingeridas são transformada em glicose. O processo também é mais lento e, normalmente, demora entre 3 a 4 horas, diminuindo, desta forma, o impacto da glicose no sangue.  Para uma dieta equilibrada, as proteínas devem representar de 15 a 20% dos alimentos consumidos.

Apenas as proteínas de origem animal contêm todos os aminoácidos necessários para o bom funcionamento do organismo. Elas são encontradas nas carnes, peixes, frango, ovos, queijo, leite e seus derivados. 

As proteínas vegetais representam as leguminosas como, por exemplo, feijão, grão de bico, ervilha, soja e algumas frutas. Apesar de muito importantes para o corpo, pois são ricas em fibras, minerais, vitaminas e antioxidantes, são consideradas incompletas em relação às proteínas de origem animal, por serem pobres em aminoácidos essenciais.

Grande parte dos legumes, verduras e hortaliças são fontes tanto de proteína como de carboidratos, o que faz com que o índice glicêmico se torne mais amplo na categoria das proteínas.

GORDURAS (lipídios): enquanto os carboidratos e proteínas possuem 4 kcal/1g, as gorduras proporcionam taxas maiores de energia por terem 9 kcal/1g.  As gorduras apesar de serem vistas como maléficas, são importantes condutoras de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), fornecem ácido graxos essenciais, além de terem um papel fundamental no controle dos processos metabólicos. Também aumentam o HDL (colesterol bom) importante para evitar a deposição do colesterol ruim (LDL) nas paredes dos vasos sanguíneos. Elas ainda produzem energia para os músculos e coração e mantém o corpo aquecido.

As gorduras tem pouco impacto nos níveis de glicose no sangue pois bloqueiam a ação da insulina devido ao tempo maior que levam para serem digeridas (cerca de 6 a 8 horas). Apenas 10% das gorduras são transformadas em glicose. Por isso, tanto as gorduras assim como os alimentos com fibras, por exemplo, favorecem a diminuição no índice glicêmico dos alimentos. Entretanto, gorduras consumidas em excesso podem levar a obstrução das artérias, que é a principal causa de infarto, acidente vascular cerebral e trombose. Recomenda-se uma ingestão diária entre 25 a 30% das calorias ao dia, observando a qualidade das gorduras, já que nem todas são benéficas. As gorduras consideradas boas são as monoinsaturadas e poliinsaturadas.

As monoinsaturadas são encontradas no azeite de oliva, nozes, castanhas, abacate etc. As poliinsaturadas são fontes de ômega 3 e 6 estando presentes nos peixes oleosos como salmão, sardinha, arenque etc. Estes dois tipos de gordura são fundamentais para o bom funcionamento do organismo já que o corpo não é capaz de produzir sozinho, sendo conseguido apenas por intermédio da alimentação.

As gorduras ruins são aquelas conhecidas como saturadas e gordura trans. A gordura saturada é encontrada em alimentos de origem animal como, por exemplo, nas carnes (gordura na parte interna e externa), pele de frango, toucinho, queijos, manteiga etc. O consumo excessivo aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Quanto as gordura trans, elas estão presentes em alimentos que utilizam a gordura vegetal hidrogenada em sua preparação, como nos casos de salgadinhos de pacote, batata frita, margarina, sorvetes etc.

Como ter uma alimentação equilibrada consumindo alimentos com alto índice glicêmico?

Como você pode observar, os alimentos possuem índices glicêmicos diferentes e os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo com liberação imediata de insulina. Se você optar por uma refeição com alimentos de alto índice glicêmico, combine alimentos que tenham o índice glicêmico baixo para que a absorção pelo organismo seja mais lenta evitando, desta forma, picos de insulina e o desequilíbrio na distribuição da glicose no organismo.  

  1. Quer comer batata? Componha o prato com proteínas, gordura boa, fibras e legumes para reduzir a absorção de glicose no sangue. Evite comer a batata sozinha.
  2. No café da manhã coma o pão (de preferência integral) junto com uma fonte de proteína, queijo branco, por exemplo.
  3. Outra dica é fracionar as refeições. Como a glicemia aumenta após as refeições, o ideal é comer menos quantidade e a cada 3 horas, evitando, desta forma, picos de insulina e crises de hiperglicemia.
  4. Alimentos com fibras (verduras e legumes crus), gorduras boas (castanha-do-pará, azeite) e frutas, prolongam a saciedade. Tente sempre inclui-las nas suas refeições.
  5. Opte pela versão integral dos alimentos. Procure substituir o arroz branco pelo arroz integral, o pão branco pelo integral etc. Caso não abra mão do tradicional arroz branco com feijão, prefira consumir a versão branca do arroz no almoço e lembre-se de combinar fontes de proteínas e gorduras para diminuir o impacto do índice glicêmico do arroz no sangue.
  6. O tempo de cozimento também eleva o índice glicêmico dos alimentos. Quanto mais cozido um alimento, maior será seu nível glicêmico, independente das calorias, que não é o assunto em questão. Quer um exemplo? A cenoura considerada tão nutritiva possui IG 16 quando consumida crua e sobe para 58 caso seja cozida.
  7. Na hora de preparar sua refeição, comece com um prato de salada colorida. Evite os molhos com gorduras ruins (gorduras trans e saturadas). Complete sua refeição com legumes (os verdes escuros e amarelos são os mais indicados) e fique atento as quantidades de carboidratos (opte pelos complexos) e proteínas.     
  8. 8. Se um dia comeu carne vermelha, no outro prefira o peixe ou frango. Alterne as fontes de proteína animal e dê preferência as carnes magras sem gordura ou pele. O mesmo vale para os queijos: ricota, cottage e minas frescal é mais saudável que queijos amarelos, manteiga e requeijão.
  9. 9. De olho no rótulo: evite adoçantes à base de frutose. Alguns produtos dietéticos industrializados são fontes de gordura com alto valor calórico e devem ser evitados.
  10. Não resiste a um doce? Melhor então que coma após o almoço, do que quando estiver com o estômago vazio. O açúcar sem a combinação de alimentos que reduzem o índice glicêmico é uma bomba de glicemia no seu corpo.
  11. Atenção à forma que ingere as frutas: quanto mais maduras, maior o índice glicêmico. Evite também os sucos: as fibras se perdem no liquidificador. Veja o exemplo do tradicional suco de laranja. A laranja como fruta tem índice glicêmico baixo (42) mas consumida na forma de suco, perde o bagaço que contêm fibras, elevando o índice glicêmico para 74. Prefira sempre comer frutas inteiras.
  12. Não esqueça da água. Ela é um micronutriente fundamental para o bom funcionamento do seu corpo. Beba sempre bastante água.

Os índices glicêmicos contidos neste artigo são uma referência geral. Para índices mais precisos, consulte seu médico.

diabetes, doença silenciosa

imagem diabetes, doença silenciosa

A palavra diabetes origina-se do grego e significa “sifão”. A doença recebeu este nome por causar uma emissão frequente e abundante de urina. Existem dois tipos de diabetes: o diabetes mellitus, que é o mais comum e frequente, e o diabetes insípido, que costuma ser raro.

O diabetes insípido está relacionado a uma disfunção da hipófise e ocorre por uma deficiência do hormônio antidiurético. Consequentemente, provoca grande eliminação de urina. 

Já o diabetes mellitus é uma doença de origem pancreática (órgão produtor de insulina), causado por um distúrbio no metabolismo da glicose. Quanto mais alto o nível de glicose no sangue, mais água o corpo necessita para diluí-la e eliminá-la. Desta forma, o paciente com diabetes mellitus sente muita sede, tem micção frequente e urina adocicada.

Porém, o diabetes mellitus e o diabetes insípido são doenças completamente diferentes, que apenas tem em comum, a alta produção e eliminação de urina. E é por isso, que ambos levam o nome de diabetes (sifão).

Neste artigo vamos abordar o diabetes mellitus que afeta cerca de 13,4 milhões de pessoas no Brasil e é caracterizado como tipo 1 e tipo 2. Os dois tipos têm em comum a hiperglicemia embora sejam divergentes tanto do ponto de vista de gênese da doença como do ponto de vista de tratamento. Mas antes de explicar este tipo de diabetes você deve entender o que é a hiperglicemia e a importância da insulina no metabolismo da glicose.

Hiperglicemia e insulina

Hiperglicemia significa a elevação de glicose no sangue. A insulina é um hormônio produzido no pâncreas e responsável por transformar a glicose (açúcar) dos alimentos em energia para o corpo. Quando o organismo não fabrica insulina ou não é capaz de utilizá-la adequadamente, o corpo não consegue usar a glicose dos alimentos e esta passa para o sangue mantendo-se na circulação.  Apesar de todo paciente diabético apresentar hiperglicemia, não significa que pessoas que tenham um episódio de hiperglicemia sejam diabéticas. Uma alimentação excessiva, por exemplo, pode provocar um quadro de hiperglicemia.

DIABETES MELLITUS TIPO 1

O diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil ou diabetes insulino-dependente, é a forma mais grave do diabetes mellitus e se inicia, em geral, na infância ou adolescência, quando ocorre a destruição das células produtoras de insulina. O nível deste hormônio cai virtualmente a zero e há dependência de reposição da insulina por injeções subcutâneas. Habitualmente, não existem outros casos de diabetes na família e o componente genético não é importante.

É caracterizado como doença autoimune e as causas são desconhecidas. Nas doenças autoimunes ocorre um desequilíbrio do sistema imunológico que altera sua função de defesa e ataca o próprio organismo. No diabetes tipo 1, esses anticorpos atacam e destroem a célula pancreática (célula beta) que gera a insulina. Não existe prevenção para este tipo de diabetes e o tratamento baseia-se na administração de insulina. A falta de insulina pode levar a grave desidratação e coma.

DIABETES MELLITUS TIPO 2

O Diabetes tipo 2 inicia-se na idade adulta, em geral após os 40 anos, e há um forte componente familiar tendo vários membros da família afetados, na maioria dos casos. É conhecido como diabetes do adulto ou diabetes não-insulino-dependente sendo, este tipo, o mais frequente na população atingindo uma proporção de 4 em cada 5 casos de diabetes mellitus.

Enquanto no diabetes tipo 1 o pâncreas não produz insulina, no tipo 2 a insulina é produzida normalmente, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica.  A obesidade é uma das principais causas do diabetes tipo 2,  o que torna esta doença um problema de saúde pública atingindo 10% da população mundial. O excesso de peso leva a um aumento da produção de insulina pelo pâncreas para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge então, o diabetes.  

Ao menos nos primeiros anos do diabetes tipo 2, não há necessidade do uso de insulina, podendo-se controlar os níveis de glicose com comprimidos, alimentação balanceada e atividades físicas.

Fatores que podem desencadear o diabetes tipo 2

  • Forte estresse físico: infecções graves, infarto do miocárdio, derrame cerebral ou cirurgias, por exemplo. São situações que podem alterar a glicemia e impedir que o corpo produza insulina ou a utilize de forma adequada.  
  • Uso constante de medicações contendo cortisona: aumenta os níveis de glicose no sangue e, da mesma, forma pode desregular a insulina.
  • Estresse emocional: durante a emoção, há liberação de hormônios chamados contrarreguladores, isto é, que se opõem aos efeitos da insulina.  Dessa forma, é possível tanto o desencadeamento, como a piora do diabetes já instalado. Existem relatos na literatura médica de pequenas "epidemias" de diabetes em cidades acometidas por grandes catástrofes (terremotos e furacões), o que reforça essa tese.

No diabetes tipo 2, a prevenção é, até certo modo, possível. Se existem casos de diabetes na família, o indivíduo deve controlar o peso adotando hábitos de vida saudáveis, tanto em relação à atividade física, como em relação ao comportamento alimentar.

Outras formas de diabetes

Diabetes gestacional: pode ocorrer em qualquer mulher e não é comum a presença de sintomas.  Costuma ser um aviso de uma tendência para a manifestação posterior de um diabetes não relacionado à gravidez. Algumas mulheres tem maior risco de desenvolver a doença e devem estar mais atentas. 

São considerados fatores de risco para o diabetes gestacional:  idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, síndrome dos ovários policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 quilos) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau, história de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão arterial sistêmica na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

Segundo o obstetra e ginecologista Prof. Dr. Thomaz Gollop, o diabetes gestacional tem, normalmente, uma evolução benigna e é mais facilmente compensável que aquele observado em paciente anteriormente diabética. Se não for tratado adequadamente, o diabetes predispõe a uma frequência maior de malformações no feto e também o nascimento de bebês muito grandes (acima de 4 quilos), exigindo maiores cuidados durante o parto.

A hiperglicemia da mãe provoca um aumento da secreção de insulina no bebê. Após o nascimento, essa insulina abaixa os níveis de glicose no recém-nascido, devido à ausência da grande fonte de glicose existente na vida uterina, provocando a hipoglicemia (queda nos níveis de glicose no sangue). Os tremores são a representação mais comum da hipoglicemia no recém-nascido.

Existem também, formas raras do diabetes mellitus:

 

  • Diabetes associado à desnutrição: que ocorre apenas em algumas regiões da África, Ásia e Caribe;
  • Diabetes associado ao alcoolismo: por pancreatite alcoólica grave;
  • Diabetes por síndromes genéticas muito raras.

Pré-diabetes

Pré-diabetes é quando o nível de glicose no sangue está mais alto que o normal mas não atinge o valor para o diagnóstico de diabetes. Estudos indicam que a cada ano, 7 milhões de pessoas no mundo desenvolvem o diabetes. Atualmente são 250 milhões de pessoas acometidas pela doença. A mudança de hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos são as principais medidas preventivas. O controle glicêmico reduz o risco da evolução do diabetes.

MITO

Muitos acreditam que é a ingestão excessiva de açúcar que desencadeia o diabetes. Essa hipótese apenas tem fundamento caso a ingestão de açúcar provoque ganho de peso e o indivíduo seja predisposto ao diabetes. Não é o açúcar que é maléfico, e sim a obesidade.

Obesidade abdominal grave é quando a medida da circunferência do abdome na altura da cintura tem valores acima de 100 cm (1 metro) para homens, ou acima de 90 cm para mulheres. Observa-se, cada vez mais, o desenvolvimento do diabetes em adultos jovens. Infelizmente, não são todas as pessoas com problemas de obesidade que procuram tratamento. Nesta situação, a descoberta do diabetes em sua fase inicial passa ser um fator de "sorte" já que isso acontece apenas quando esses pacientes procuram o endocrinologista.

SINTOMAS DO DIABETES

Os sintomas do diabetes mellitus são semelhantes, independente de ser o tipo 1 ou 2. A diferença principal é que no diabetes tipo 1, os sintomas se desenvolvem rapidamente e o paciente, normalmente, emagrece. No tipo 2, surgem de forma gradativa e a obesidade, normalmente está presente. Se você tem muita sede, aumento da diurese, apetite excessivo, sente dores nas pernas e alterações visuais, pode já estar com diabetes em fase avançada.

É importantíssimo o diagnóstico precoce do diabetes. Pessoas com diabetes tipo 2 não diagnosticado, tem risco maior de apresentar acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periférica do que pessoas que não têm diabetes.

Se você está obeso faça o teste da circunferência abdominal e marque uma consulta no endocrinologista com urgência. Como você pode observar o mecanismo da insulina causado pela obesidade é semelhante ao mecanismo do diabetes tipo 2.

controlando o diabetes

Ter uma dieta balanceada é essencial para manter a qualidade de vida

imagem controlando o diabetes

A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o diabetes já atinge nove milhões de brasileiros, totalizando 6,2% da população adulta.

Caracterizada pela alta concentração de glicose no sangue, o diabetes é causado por “uma deficiência de produção de insulina ou alteração no transporte de glicose para as células”, explica o nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho. Entre os muitos cuidados, quem sofre com o diabetes não pode deixar de fazer atividade física, hidratar-se, nem se descuidar da alimentação. “A dieta recomendada deve conter frutas, verduras, legumes e alimentos com baixo índice glicêmico e fibras, como os integrais”, informa Ribas Filho.

Na berlinda

É preciso ter cautela ao comer alimentos ricos em carboidratos, uma vez que eles são transformados em glicose no organismo. Apesar disso, Ribas filho explica que o ser humano precisa do carboidrato e que eles não podem ser retirados da dieta, pois são fontes de energia. A Associação Americana de Diabetes recomenda a ingestão de 50% de carboidratos, baseado nas necessidades energéticas totais. Os diabéticos devem evitar frituras, doces em geral, biscoito e refrigerante, vegetais com grande concentração de amido, como milho, batata, ervilha etc.

Para evitar as crises de hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) ou hipoglicemia (taxas baixas de glicose no sangue), fracionar as refeições faz toda a diferença. As porções devem ser menores e variadas, e consumidas a cada três horas.

Alimentos aliados

  • Peixes: sardinha, cavalinha e salmão possuem ômega 3 (um tipo de gordura), relacionado à redução da glicose e da diabetes tipo 2;
  • Amendôas: ajuda na reposição do magnésio, que pode ser perdido após aumento elevado da glicose;
  • Aveia: suas fibras solúveis reduzem a velocidade com que a glicose é absorvida;
  • Brócolis: contém cromo em sua composição, mineral que auxilia no controle da glicemia;
  • Linhaça e chia: ricas em fibras, elas reduzem o risco de haver picos de glicose e aumento da insulina;
  • Outros alimentos: nozes, queijo branco, frutas cítricas, como a laranja e a acerola, e saladas de todos os gêneros. As frutas não são proibidas, mas é importante escolher as que contêm menos açúcar, como o caso do abacate, maçã, damasco seco, cereja etc.
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