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prisão de ventre

Liberte-se da prisão de ventre

imagem prisão de ventre

A prisão de ventre, conhecida também por constipação intestinal e, popularmente, chamada de intestino preso, é um dos problemas mais citados pelos pacientes nos consultórios médicos.

Para caracterizar a prisão de ventre é necessária a presença de pelo menos uma das condições citadas a seguir:

  • Evacuar menos que três vezes por semana
  • Evacuar em intervalo superior a três dias
  • Eliminar fezes duras, fragmentadas, escurecidas, ressecadas ou em pequeno volume (“bolinhas” ou “como de cabrito”), às vezes finas “como um lápis”
  • Evacuar de forma incompleta ou insatisfatória (restaram fezes a eliminar)
  • Esforço excessivo para conseguir evacuar
  • Necessidade de manipulação manual: alterações anatômicas por causas diversas, que obrigam mulheres empurrar a parede de trás da vagina para conseguir evacuar
  • Precisar usar os dedos para retirar fezes do reto: fezes muito tempo parada na ampola retal ressecam e se transformar em fecaloma (fezes endurecidas, “empedradas”)
  • Dor no ânus e/ou reto ao evacuar 
  • Dor ou desconforto abdominal pelo fato de não evacuar

Apenas um ou dois dias sem ir ao banheiro, até gera desconforto, mas não é motivo para considerar constipação intestinal (prisão de ventre). Às vezes, a alimentação incorreta, falta de ingestão de líquidos, estresse, ansiedade, viagens ou efeito colateral de medicamentos, podem refletir no bom funcionamento do intestino.

Uma das condições que progride para a verdadeira prisão de ventre é deixar de ir ao banheiro quando surge a vontade de evacuar. A constância deste ato prejudica o reaparecimento do reflexo de evacuação, além de torna o intestino “preguiçoso”. Ele passa a contrair menos, prejudicando o ritmo normal da evacuação. Além disso, fezes acumuladas tornam-se ressecadas e mais difíceis de serem expelidas.

Em pessoas saudáveis, os alimentos permanecem no sistema digestório, em média, por até 24 horas. Nesse período são degradados e absorvidos e seus resíduos excretados em forma de fezes.

O intestino delgado é um órgão tubular oco (mede aproximadamente 7 metros), com a função de completar o processo de digestão e promover a absorção dos alimentos. O alimento demora cerca de 12 horas para percorrer todo o intestino delgado até chegar ao intestino grosso, que é a última parte do tubo digestivo.

O intestino grosso é dividido em três partes:

  1. Ceco: é a primeira parte do intestino grosso e recebe o conteúdo do intestino delgado
  2. Cólon: onde ocorre a absorção de água dos alimentos não digeridos (originando as fezes)
  3. Reto: é a última parte do intestino grosso, onde as fezes ficam armazenadas

O material pastoso fica entre 6 e 10 horas no intestino grosso. Quando o conteúdo transformado em fezes chega ao reto, é enviado um reflexo para o cérebro traduzindo-se em vontade de evacuar. Neste momento, a decisão de eliminar as fezes ou retê-las, é pessoal. Caso a pessoa esteja em local que possibilite a evacuação, o esfíncter (músculo localizado ao redor do ânus) relaxa, e permite desta forma, que as fezes sejam eliminadas.

Vários músculos estão envolvidos no processo da evacuação. Enquanto alguns músculos precisam relaxar, como é o caso do esfíncter anal, outros precisam se contrair para empurrar o bolo fecal para frente. Este movimento é chamado de peristáltico, constituído de contrações involuntárias e progressivas. Qualquer problema que comprometa algum destes músculos provoca a prisão de ventre.

Outra causa importante que leva a constipação intestinal é a falta de hidratação adequada, já que pouco líquido circulando impede a correta absorção de água pela massa fecal, tornando as fezes secas, duras e difíceis de serem eliminadas. 

A prisão de ventre atinge entre 10 e 30% da população e, predomina, principalmente, entre mulheres, crianças, sedentários e pessoas com mais de 60 anos (surge ou piora com a idade).

As mulheres são as principais atingidas, em relevância de duas a três vezes mais, principalmente durante a gravidez.

Na gravidez é uma queixa muito comum e que tende a piorar a partir do 4º mês de gestação. Conforme o bebê cresce, maior se tona a dilatação do útero que comprime o intestino, prejudicando a evacuação. Além disso, a ação dos hormônios, principalmente, o aumento da progesterona, e também os suplementos de ferro, reduzem o movimento intestinal tornando as fezes ressecadas, dificultando a eliminação.

As mulheres em geral, sofrem grande influência dos hormônios que podem desencadear ou agravar a prisão de ventre. Durante a ovulação, quando o útero se prepara para receber o óvulo, há um aumento do hormônio progesterona que, como já explicamos, dificulta o trânsito intestinal.

Já na fase pré-menstrual, inicia a liberação da prostaglandina (substância que tem a função de contrair o útero para expulsar o endométrio/menstruação). A prostaglandina, diferente da progesterona, auxilia no processo de evacuação tornando as fezes mais fluídas. Alias, este é um bom indicativo para verificar se a “prisão de ventre” é originada por hábitos inadequados ou por alguma patologia. Quando a dificuldade para evacuar é efeito de alguma complicação, mesmo nesta fase, a constipação permanece.

Múltiplas gestações, da mesma forma, aumentam as chances da prisão de ventre, neste caso, por eventual flacidez no assoalho pélvico e da parede abdominal que prejudica o movimento da musculatura.

O intestino preso também é associado à rejeição ao uso de banheiros fora de casa, reprimindo a vontade de evacuar, que acaba por comprometer o reflexo da evacuação.

As crianças tem grande tendência em sofrer constipação. Muitas delas têm por hábito, segurar as fezes para não interromper a brincadeira ou por vergonha de pedir para se ausentar da sala de aula, por exemplo. Outras, por influência social, enxergam as fezes como algo feio e negativo, desencadeando a prisão de ventre por fator psicológico. Às vezes, esta situação é originada inconscientemente pelos pais ou cuidadores, na época da retirada das fraudas, levando a criança reprimir o intestino por medo de deixar escapar o cocô.

Adiar a eliminação das fezes, faz com que fiquem duras e secas. Desta forma, quando ocorrer à evacuação, pode haver dor e dificuldade para eliminá-las, o que acaba piorando o quadro. A criança, para evitar o desconforto, sente medo de evacuar e fica propensa a prender ainda mais as fezes.

Em bebês, estudos indicam que a falta de aleitamento materno aumenta as chances de constipação.

Nos idosos, a prisão de ventre está associada ao sedentarismo e ao próprio envelhecimento que compromete os músculos do intestino. Muitos medicamentos e doenças, comuns nesta faixa etária, também exercem influência no funcionamento intestinal. A mais comum é a diverticulite hipotônica (afrouxamento da musculatura do intestino grosso) que, na verdade, não se trata de uma doença e sim, de uma involução senil. A menopausa também tende agravar a prisão de ventre em mulheres que já tinham propensão anterior.

DICAS PARA EVITAR A PRISÃO DE VENTRE

Para evitar o desconforto causado pelo intestino preso você deve tentar seguir o maior número possível das sugestões listadas a seguir. Na maioria das vezes, com a correção de hábitos alimentares, aumento do volume de líquidos ingeridos, mudanças posturais, bem como adequação da condição muscular e da atividade física, já é possível resolver ou minimizar o problema. Fique atento também ao uso de medicamentos com efeitos constipantes. E atenção: prisão de ventre rotineira pode favorecer o aparecimento de doenças do intestino.

Alimentação
Alimentos com fibras são essenciais para o tratamento da prisão de ventre. Como já foi dito, as fezes nada mais são do que resíduos de alimentos que não foram absorvidos. As fibras funcionam como um meio de transporte para levar água para dentro do intestino, evitando o ressecamento das fezes e promovendo o aumento do bolo fecal. Como o bolo fecal é empurrado pelos movimentos peristálticos, quanto maior o volume deste bolo, mais fácil é eliminá-lo.

O ideal é ingerir, no mínimo, 30g de fibras por dia. Consuma mamão com as sementes (sem mastigá-las), laranja com o bagaço, ameixas pretas, farelo de trigo ou de aveia, arroz e pão integral, além de hortaliças, verduras, legumes e frutas variadas. Frutas que contém grande quantidade de água: melancia, melão, abacaxi, kiwi etc.

Evitar maçã, banana maçã, pera sem casca e goiaba, que prendem o intestino, e alimentos muito condimentados (pimenta, mostarda, molhos), pois fermentam e estufam a barriga. Brócolis, berinjela, couve-flor e repolho produzem muitos gases.

Procure tomar bastante líquido (mínimo de 2 litros por dia) fora das refeições e se puder, beba água de coco. Caso necessário, o gastroenterologista Prof. Dr. Luiz Chehter, orienta a suplementação com fibras vendidas em farmácias.

Não pule o café da manhã
A vontade de evacuar costuma aparecer logo ao acordar, especialmente depois do café da manhã, podendo se repetir após outras refeições. A redução do volume de alimentos ingeridos no dia anterior ou abolir o café da manhã pode prejudicar o reflexo da evacuação.

Posição no vaso sanitário
Manter a postura correta no vaso sanitário também ajuda. Na posição sentada, com o apoio dos membros inferiores no chão e a flexão do tronco (para simular a posição de cócoras), há maior eficácia da atuação da musculatura abdominal e do períneo, facilitando o esvaziamento do reto. Não se deve recostar nem ficar com os pés sem apoio durante a evacuação.

As crianças podem ter dificuldade para evacuar por falta de apoio nos pés e/ou vaso sanitário desproporcional ao seu tamanho. Compre um peniquinho ou um adaptador de acento sanitário e, não esqueça, de providenciar um apoio para os pés.

Curiosidade da herança genética dos ancestrais: o homem, ao assumir a posição ereta, teve comprometimento da musculatura e da pressão exercida sobre o intestino, o que teria motivado o surgimento da constipação. Isso explica a importância da posição de cócoras para o melhor funcionamento dos músculos envolvidos no processo de evacuação, postura mantida pelos índios até hoje.

Evite reprimir a vontade de evacuar
Quando o reflexo da evacuação acontece em local ou horário incompatível (viagem, compromisso, falta de sanitário), a defecação é postergada mediante a contração do esfíncter anal (músculo do ânus). Reprimir repetidamente o reflexo da evacuação tem por consequência a perda progressiva deste reflexo, agravando ou desencadeando a prisão de ventre.

Se você for sedentário, seu intestino vai ser também. Mexa-se!
O comprometimento da musculatura abdominal e da pressão exercida sobre o intestino pode ser afetada pelo sedentarismo. Procure se movimentar. Faça caminhadas.

Atenção aos medicamentos constipantes
Alguns medicamentos podem desencadear ou agravar a prisão de ventre. Os mais comumente envolvidos são os empregados para depressão, parkinsonismo, hipertensão arterial, convulsão, ansiedade e também os analgésicos opiáceos (codeína, morfina), sais de ferro ou de alumínio. Peça orientação ao seu médico para indicar laxativos apropriados ao seu caso.

Treine seu intestino
Você deve ficar convencido que seu intestino pode e deve ser treinado. O objetivo não é evacuar diariamente, mas três vezes na semana, sem desconforto ou grande esforço. Intestino tem que ser educado, condicionado. Estipule um horário, de preferência, após o café da manhã, já que o reflexo da evacuação costuma surgir após o período mais prolongado de jejum.

Sente-se no vaso sanitário com a postura já explicada e evite qualquer atividade durante este momento (ler ou falar ao telefone, por exemplo). Concentre-se e empenhe-se em reeducar seu intestino. Educar não é uma tarefa fácil. Portanto não espere que seu intestino aprenda rápido.

Uma medida muito indicada pelos gastroenterologistas, para o treinamento do intestino e normalização do processo de evacuação, é seguir as orientações citadas neste artigo e, caso necessário.

Evite excesso de laxantes
O uso de laxante com frequência pode causar um efeito rebote e comprometer os movimentos do intestino grosso, provocando, a longo prazo, piora na prisão de ventre. Intestino que não precisa se movimentar, se acostuma, e torna-se preguiçoso. Os laxantes podem ser usados ocasionalmente. Paciente com prisão de ventre crônica deve buscar ajuda médica e, principalmente, participar do tratamento. Na necessidade do uso rotineiro de laxantes, seu médico irá diminuir a quantidade gradativamente, até normalizar a evacuação.

Alguns tipos de laxantes indicados para situações esporádicas
Não é necessário receita médica para o uso de laxantes, mas é necessário o bom senso e evitar o uso abusivo sem orientação médica. Segundo o Prof. Chehter, os mais indicados são os laxantes osmóticos que não são absorvidos e como o próprio nome já diz, agem por osmose, ou seja, retêm água nas fezes.

Já os laxantes estimulantes devem ser usados apenas em situações de emergência. Este tipo de medicamento estimula a secreção de água e eletrólitos e agem na musculatura do intestino. Por serem fortes, também provocam cólica abdominal.

Seguindo todas as recomendações, possivelmente, você terá sucesso na reabilitação do seu intestino. Mas não esqueça: o reaparecimento do reflexo da evacuação pode levar tempo para voltar e requer uma persistente dedicação. Não desista e logo seu intestino ficará condicionado a funcionar no horário que você determinar. Intestino saudável te liberta das dores, inchaço e cansaço, próprio de quem sofre de prisão de ventre, além de normalizar a libido que costuma ser afetada pelos desconfortos intestinais.

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